Hoje completou um mês que perdemos meu pai. Ainda doi muito falar no assunto. Tudo que lembra ele ainda surge como um soco no estomago seguido de um gelo inexplicável. A saudade é tanta que hoje eu daria tudo o que tenho para poder tê-lo aqui comigo novamente.
Hoje já tenho certeza que foi uma viagem sem volta e que só posso lembrar dos muitos momentos felizes que passamos juntos.
Sei que nunca mais vou poder atender o telefone no dia do meu aniversário escutando a linda voz dele do outro lado da linha, cantando parabéns pra você ou escutá-lo contando a mesma piada muitíssimas vezes e mesmo assim sair correndo pro banheiro pra não fazer xixi na roupa de tanto sorrir. Estou sentindo e sei que a partir de agora a saudade só vai aumentar, porque agora a ficha caiu.
Ele partiu no melhor estilo dele, sem se despedir e deixou em minhas lembranças o carinho dele comigo, a esperança de que o dia seguinte seria melhor que o de hoje e que o cair não significa derrota, e sim uma mãozinha pra gente se levantar de cabeça erguida.
Vou sentir saudade da busca por liberdade dele, das brincadeiras dele com o Guilherme e das várias vezes que a presença dele se tornou momentos inesquecíveis. Como da vez em que o Gui nasceu e eu recebei alta do hospital e o Gui ficou na UTIN e ele foi levar uma cinta pra mim na casa da minha sogra e só de me olhar ele viu o quanto eu estava triste por ter deixado meu filho no hospital e quando nós nos olhamos os olhos deles se encheram de lágrimas. Das incontáveis vezes que eu vinha com o Gui pra casa da minha mãe e ele ficava nos esperando embaixo de um pé de árvore. Da vez em que eu morava na casa da minha tia e ele veio de São Paulo me visitar na escola, pediu licença pro professor e entrou na frente de toda minha turma, se apresentou e falou que teve que voltar porque estava cheio de saudade.
Estou em um processo muito lento de aceitação de tudo isso. Nos últimos meses estivemos muito juntos, e, morar aqui perto da casa minha mãe só me lembra a presença dele em cada cantinho da rua, chegar na casa dela pela manhã tem sido díficil.
Ao mesmo tempo sei que se ele estivesse aqui, ele não aceitaria me ver do jeito que estou, querendo desistir daquilo que ele mais lutou pra ter nos últimos tempos.
Hoje decidi que vou me levantar, vou acreditar que nossos corações continuam ligados por toda nossa história e vou fazer o que ele desejava pra todos os filhos dele, que era que fossemos felizes.
Estou reabrindo as histórias felizes, tristes e engraçadas da minha vida levando em mente a última frase que ouvi da boca do meu pai pra mim 4 dias antes dele partir:
"DEUS TE ABENÇÔE MINHA FILHA!!!"
domingo, 18 de maio de 2008
Saudade
Postado por Edivânia
Marcadores: Pessoal
